Liberdade imediata para Derci Francisco Sales!
Jaru,
23 de março de 2007.
Na madrugada do dia 21 de março ocorreu
mais um ataque criminoso contra camponeses pobres em luta pelo sagrado
direito à terra em Rondônia. Na região de Jacinópolis,
Nova Mamoré e Buritis uma operação conjunta
da policia militar e civil promoveu o terror entre a população,
mais de 200 pessoas foram revistadas e humilhadas, várias
tiveram suas casas invadidas. Em Jacinópolis mais de 45 soldados
invadiram a casa do administrador do distrito, conhecido como “Chapéu”,
ele foi arrancado da cama durante a noite, algemado e interrogado,
tudo isso sem nenhum mandado judicial.
Na mesma madrugada seguiram para a linha eletrônica
onde invadiram o sitio de Sebastião Francisco Sales, policiais
usaram bombas para derrubar a porta de sua casa, Sebastião
foi algemado, teve sua casa revirada, encontraram uma espingarda
velha, tudo isso na frente de esposa e filhos. Depois ele foi forçado
a levar os policiais na casa de seus irmãos, Derci Francisco
Sales e Alcélio Francisco Sales.
Chegando ao sítio de Derci, policiais fortemente
armados invadiram sua casa com truculência, ele foi algemado,
também teve seus pertences revirados e encontraram duas espingardas
de caça. Derci foi arrastado para um córrego próximo
a casa, foi torturado com afogamento e espancamento durante horas.
Foram presos também sua irmã e seu cunhado que moram
no sítio. Nenhuma das ações possuía
mandado judicial ou mesmo qualquer acusação contra
os companheiros.
A história dos três companheiros é
a mesma de milhares de camponeses em Rondônia. Sebastião,
Derci e Alcélio fazem parte de uma família de nove
irmãos que na década de 70 vieram com seus pais do
Espírito Santo para Rondônia acreditando nas promessas
de que conseguiriam terra fácil. Tiveram que trabalhar por
muitos anos nas terras dos outros, colhendo café, roçando
pasto para juntar dinheiro e comprar um sítio, mas não
foi fácil. Trabalharam na região de Jaru e Buritis.
Há mais de 10 anos a família cansou de esperar pela
reforma agrária do governo, foram para Jacinópolis.
Ali junto com outras famílias enfrentaram todo tipo de dificuldade
para conquistar suas terras, enfrentaram malária, sofreram
com as perseguições e assassinatos cometidos por pistoleiros
de latifundiários, seu sobrinho Ozéias Martins foi
morto em 2003 a mando do fazendeiro Carlos Schumann. Mas nunca desistiram.
Derci é bastante conhecido, foi um dos que
liderou a colonização da região onde hoje já
tem mais de 2100 famílias que assim como ele não tinham
nem onde morar e agora são livres pois conquistaram as terras
e vivem e trabalham com dignidade.
Sebastião, Derci e Alcélio são
trabalhadores honrados e muito queridos de todo o povo da região.
Não são criminosos!
A polícia esteve ainda num dos acampamentos
da LCP que fica na fazenda Condor em busca de armas, não
encontraram nada. Se tivessem ido à sede da fazenda, latifúndio
de 45 mil alqueires, com certeza teriam encontrado um arsenal de
armas!
Os três irmãos foram levados para
Buritis, a polícia tentou impedir que o advogado visitasse
os companheiros. Derci estava bastante machucado pelas torturas
e espancamentos que sofreu. Até o dia 22 não haviam
feito exame de corpo delito e apenas seus irmãos foram libertos,
Derci continua preso na delegacia de Buritis.
Esta operação foi preparada em reuniões
do GGI (Gabinete de Gestão Integrada) onde participaram as
Polícias Federal, Militar e Civil, Abin, Exército
e Aeronáutica para tratar os conflitos agrários na
região. Estas reuniões contaram ainda com a presença
de entidades que se dizem defensoras dos trabalhadores.
Em fevereiro deste ano a imprensa a serviço
do latifúndio lançou matérias caluniosas onde
atacavam a LCP – Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia
como responsável por crimes ambientais, grilagem de terras
e assassinatos. Estas matérias não foram por acaso,
elas tinham o objetivo de colocar a opinião pública
contra os camponeses que lutam pela regularização
das terras.
Toda esta campanha de criminalização
do movimento camponês tem o objetivo de combater o crescimento
das tomadas de terras e da organização dos camponeses
em todo o estado, especialmente na região em torno de Jacinópolis.
Os latifundiários estão se sentindo ameaçados
em seus negócios escusos de grilagem de terras, trabalho
escravo e tráfico de drogas.
Conclamamos a todos os democratas e progressistas
a repudiarem mais esta ação do Estado genocida e sua
polícia assassina contra os camponeses de Rondônia.
Punição aos torturadores de Derci!
Fim do processo contra os camponeses!
Basta de tanta miséria e opressão!
Toda a terra pra quem nela vive e trabalha!
Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia – LCP
Comissão Nacional Organizadora das Ligas de Camponeses Pobres
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