A farsa das eleições
burguesas
Mais um ano de
eleições chegou – desta vez, para eleger prefeitos e vereadores
nas cidades de todo o país. A reação joga todas as fichas para
limpar a sujeirada dos políticos oficiais vazada neste intervalo
entre eleições e dar novo fôlego ao processo farsante.
Corrupção, desvio de
dinheiro público, compras de voto, licitações fraudulentas,
inocentação de criminosos... tudo isto está errado – dizem
cinicamente os reacionários – mas a culpa é do povo que não sabe
votar – complementam logo em seguida. A propaganda oficial
investe pesado em fazer passar a ilusão de que a eleição é um
instrumento de mudança social além, é claro, de colocar uma vez
mais a culpa das mazelas políticas sobre o povo brasileiro;
inclusive, pasmem, a da roubalheira perpetrada pelos homens do
Estado.
Direta e
objetivamente podemos afirmar: 1) as eleições não representam
qualquer possibilidade de mudança; e 2) a corrupção no Estado
independe de seus gestores; faz parte da própria natureza do
Estado burguês-latifundiário.
ELEIÇÃO NÃO MUDA NADA
O
que significam as eleições no Brasil? Presentemente a definição
do novo nome que irá seguir a política ditada pelo imperialismo.
O Brasil é um país que nunca conquistou a independência, sempre
fora governado por outro país. Antes por Portugal e Inglaterra e
agora pelo imperialismo, principalmente dos USA. O Estado
Brasileiro é inteiramente submisso ao imperialismo e suas
eleições constituem um processo corrupto onde prevalece a lógica
do “ganha quem tem mais dinheiro”.
“Quem tem mais
dinheiro” (ou quem recebe mais) é aquele que oferece mais
conforto aos imperialistas na tarefa de aprovar e desenvolver as
políticas antinação, que legalizam e facilitam a rapina de
nossas riquezas pelas potências estrangeiras, e antipovo, que
retiram cada vez mais direito dos trabalhadores e avançam na
criminalização da pobreza – tudo para garantir melhores
condições de exploração para as classes dominantes e combater a
luta popular que cresce no país.
Mesmo sendo eleições
de âmbito municipal é isto que está em jogo. Trata-se de escolher
qual representante das classes dominantes vai assumir o cargo
para continuar a opressão e exploração sobre as massas
populares.
As eleições na
semicolônia Brasil constituem, portanto, um jogo de cartas
marcadas. Uma farsa. O programa de prefeitura a ser aplicado
será o elaborado nos escritórios do imperialismo, principalmente
dos USA. Por um ou outro meio, é isto que está assegurado.
A CORRUPÇÃO É INERENTE A ESTE
ESTADO
Dizer que ‘a culpa
da corrupção é dos eleitores que votam mal’ é, além de errado,
uma afirmação cara-de-pau. A campanha da Justiça eleitoral está
cada vez mais apelativa em suas disparatadas.
Além de tentar
seduzir o eleitor neste discursozinho do “voto consciente” esta
propaganda encobre que a corrupção é inerente a este sistema de
governo, tentando fazer crer que a corrupção depende de tal ou
qual candidato (é lógico que estes têm culpa, afinal ninguém os
obriga a ser candidatos).
A verdade, porém, é
que o próprio Estado Brasileiro, burguês-latifundiário e
pró-imperialista, é corrupto por natureza – necessariamente.
Para garantir os privilégios às classes dominantes a corrupção
percorre o Estado dos pés à cabeça, passando pelo legislativo,
judiciário até o executivo e todas instituições do Estado
(Exército, Polícia, prisões etc.)
Esta é a forma
que permite às classes dominantes encobrir todos os seus crimes
e seguir governando com direitos e sem deveres, usufruindo de
infinitos privilégios. Por exemplo, como o Estado reconhece a
terra do latifundiário, roubada por excelência? Através da
corrupção – é só pagar alta quantia em um cartório e a terra é
registrada. Como o Estado absolve os verdadeiros bandidos deste
país, como no caso recente do banqueiro Daniel Dantas? Através
de corrupção – como o assessor dele disse na gravação: ‘Dantas
está preocupado com a primeira instância’ “uma
vez que no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo
Tribunal Federal (STF) ele resolveria tudo com facilidade".
Como favorece grandes empresas em licitações? Através de
corrupção – paga-se ou pressiona-se os responsáveis e a fraude
está garantida. O sistema burocrático-capitalista e semifeudal
no Brasil e em outros países funciona desta maneira: ou
compra-se votos e aprova-se no Congresso suas leis, ou, em
outros casos, paga-se diretamente a um punhado de pessoas
responsáveis, normalmente “indicados”, “nomeados”, “conhecidos”
(...) e se tem os interesses garantidos.
Acaso alguém já viu
um grande parlamentar preso? Um banqueiro, industrial ou
latifundiário pagando por seus crimes? E, como isto pode ser
sempre garantido? Através de um sistema que seja regido pela
corrupção.
Assim, pois, estão
desmentidas duas grandes asneiras divulgadas pelo monopólio de
comunicação. Querem convencer que a eleição é instrumento de
mudança, pois assim se freia a luta popular, desvia-se o povo da
luta revolucionária – única forma real de transformação. E têm a
necessidade de passar a corrupção como algo isolado, para dar
oxigênio ao seu sistema podre e corrupto até a medula que
sustenta esta sociedade de exploração e opressão das amplas
massas populares.
ELEIÇÃO, NÃO! REVOLUÇÃO, SIM!
Não votar significa
dar menos legitimidade ao processo farsante das eleições.
Representa retirar o respaldo com que os representantes das
classes dominantes vão assumir seus cargos rendosos. Com mais ou
menos votos é fato que ocuparão seus cargos; a diferença, com o
boicote das eleições, é que terão menos legitimidade para
aplicar medidas contra o povo, em nome do próprio povo – como
dizem.
Do ponto de vista do
povo, o Estado Brasileiro não necessita ser reformado,
embelezado nem ter o nome de seus dirigentes trocados. O Estado
é o instrumento das classes dominantes para assegurar seu
domínio. Um Estado erigido para assegurar a transferência de
riquezas a outros países, para manter a exploração da imensa
maioria por uma minoria, em última instância, para garantir
democracia para os opressores e ditadura para os oprimidos,
precisa ser atirado na tumba, pois não tem nada que presta! Sua
estrutura foi plasmada para servir à injustiça e à
desigualdade.
O único caminho para
a solução dos problemas do povo é a Revolução. É necessário
destruir a máquina do Estado, este “instrumento de exploração da
classe oprimida” (Lênin em O Estado e a Revolução) e
construir um novo Estado, que expresse em forma e conteúdo uma
verdadeira democracia.
O processo
revolucionário é necessariamente longo. Não se quebra o aparelho
do velho Estado da noite pro dia. Tampouco se constrói um novo
Estado tão rápido. Por isso afirmamos que a Revolução é um
processo prolongado, vivo, diário, de destruição do velho e
edificação do novo.
A REVOLUÇÃO BRASILEIRA
As condições
particulares do Brasil apontam que o problema mais grave se
concentra no campo, no monopólio da terra por um punhado de
latifundiários, de um lado, e, por outro lado, nas milhões de
famílias camponesas que têm pouca ou nenhuma terra para viver.
Este é, hoje, o
problema principal do país. Todos os demais problemas (domínio
estrangeiro, desemprego, exploração, habitação, etc.) se
sustentam nesta estrutura fundiária arcaica. Por isso a
Revolução Brasileira é uma Revolução Democrática, que inicia
pela democratização da terra, para então cumprir as demais
tarefas democráticas e passar diretamente ao Socialismo.
A democratização da
terra só é possível hoje através de uma Revolução Agrária, já em
desenvolvimento no país, que toma a terra roubada dos
latifundiários, corta-a e entrega os lotes para os camponeses
pobres. Além de ir destruindo passa a passo o sistema
latifundiário, os camponeses estabelecem em cada área o seu
poder político. Criam formas próprias para governarem cada
local. É a destruição gradual do velho poder e a construção de
embriões de um Novo Poder, do Poder Popular. É a Revolução
Democrática em curso.
Este Novo Estado,
que já tem suas sementes espalhadas pelo Brasil, vai se erigindo
no curso da Revolução e diferentemente do velho Estado
burguês-latifundiário, serve para garantir uma Nova Democracia,
uma sociedade justa, sem a exploração do homem pelo homem. Um
novo Estado, com caráter das classes hoje oprimidas e
exploradas, que formam a maioria da população, não necessita
assegurar privilégios a uma minoria exploradora (que já não
existe), nem aos
indivíduos que ocupam cargos nele e, portanto, não funciona via
corrupção, fraudes e mentiras.
Aos comprometidos
realmente com a transformação da sociedade, fica a tarefa de
organizar e politizar as pessoas de nosso povo para rechaçarem a
via eleitoral e engrossarem a luta revolucionária pela tomada do
Poder.
- Não Votar! Viva a
Revolução Agrária!
Eleição é farsa! Rebelar-se é
justo!