SERVIDORES INTOXICADOS SOFREM COM DESCASO DO GOVERNO

O MEPR tem acompanhado a trajetória dos trabalhadores da FUNASA que estão contaminados com o DDT. Durante a década de 80, esses servidores serviram ao povo que trabalhava em garimpos e na mata. A cada município novo criado na Amazônia, eles iam com sua disposição combater a malária, febre amarela e outras doenças endêmicas. Os funcionários da Funasa passavam e ainda passam 22 dias trabalhando e somente oito com sua família. O governo, que nunca se preocupou com a condição dos trabalhadores, não dava material de proteção para quem usava inseticida. A exposição freqüente com substâncias químicas (Organo Clorado, Fosforado e Peritróides), fez quem antes lutava para salvar vidas, ver sua vida se acabando.

Só no município de Conceição do Araguaia – Sul do Pará, mais de 200 servidores estão contaminados, 10 morreram nos últimos anos. Para conseguirem o tratamento médico tiveram que entrar na justiça e ainda hoje corre o processo para que sejam afastados das funções e aposentados. Muitos deles são obrigados a trabalharem com os mesmos inseticidas que debilitou sua saúde, pois o governo nega-se a reconhecer a intoxicação. O atual ministério da saúde não reconhece essa contaminação, trata esse problema com enorme descaso e desrespeito a esses que foram peças chaves para o crescimento desta região.

A intoxicação com substâncias químicas afeta principalmente o sistema nervoso central, que causa debilidades nervosas como problemas de falta de concentração, ansiedade, irritabilidade e outros, além de impotência sexual, dores fortes no corpo, dores de cabeça constante, perda das funções motoras etc.

Reproduzimos abaixo uma carta - manifesto que os servidores entregaram a população, e queremos aqui reafirmar nosso apoio a essa luta pela vida e nosso repúdio ao governo que poderia minimizar as dores destes nossos heróis, tratando-os com a dignidade que merecem.


CARTA ABERTA DOS SERVIDORES DA FUNASA À POPULAÇÃO.

SALVANDO VIDAS E ENFRENTANDO A MORTE

INTOXICAÇÃO DE AGENTES NA FUNASA

1. Nós, servidores da FUNASA (ex-SUCAM), do estado do Pará, hoje lotados na Fundação Nacional de Saúde – FUNASA, envolvidos nas campanhas e atividades de controle de endemias, no combate à febre amarela, dengue, leishmaniose, e principalmente à malária em áreas endêmicas no sul do Pará, desde 1996 estamos denunciando a contaminação pela utilização de substâncias químicas (ORGANO – CLORADO, FOSFORADO E PERITRÓIDES) no combate as doenças citadas acima.

2. Trabalhamos em condições inóspitas o que nos possibilitou hoje sermos vítimas de intoxicação por inseticidas utilizados nas campanhas de doenças endêmicas, mesmo assim sempre desenvolvemos um trabalho dedicação, merecendo o mais profundo respeito e admiração da população.

3. As imposições das chefias, manipulações e falhas do conhecimento dos riscos aos quais éramos submetidos, e o descumprimento por parte do governo em relação às normas regulamentadoras que estabelecem diretrizes de uso e cuidados com produtos químicos pelas instituições públicas, propiciaram, com certeza, a nossa contaminação de maneira irreversível, e hoje enfrentamos conseqüências desastrosas em nossa saúde, assim como nossos familiares também.

4. Já se passaram dez anos que a denúncia sobre nossa situação foi encaminhada às autoridades governamentais. É verdade que algumas medidas foram tomadas, entretanto, os descasos, as omissões e o desrespeito com relação ao tratamento e a aposentadoria ainda continua, e muitos dos casos de tratamentos só são viabilizados por imposição de uma ordem judicial.

5. Nós, trabalhadores, estamos morrendo lentamente, em conseqüência de nossa longa exposição e manipulação com venenos destinados aos insetos. Deixamos para nossos filhos a herança de um pai doente, que não tivemos condições de ficar no convívio familiar, uma vez que na maior parte de nossas existências foi no exercício da profissão. E hoje, devido à doença padecemos à mingua. Encontramo-nos profundamente angustiados e ansiosos quanto ao futuro. Sabemos que a enfermidade é irreversível e as doenças agravam-se continuadamente, sem a menor esperança de cura, nem mesmo em longo prazo. Existe registro de óbitos no estado do Pará – PA, os quais suspeitam que estejam ligados à contaminação.

6. Não é só no Pará que existem casos de intoxicação, mas em todo o País onde operou um "guarda da malária ou agente de saúde", existem casos incontáveis de servidores encostados no mais visível estado de subvida em decorrência da intoxicação. Qual o prêmio que nossa família recebe? A resposta é simples: aos cinqüenta anos de idade um pai de família enferma, necessitando de cuidados como se fosse uma criança, em virtude das seqüelas da contaminação.

7. É necessário vislumbrar perspectivas que apontem uma resolução do grave problema que vivemos, visando exigir os tratamentos necessários e adequados; é preciso que o governo reconheça esse caso de intoxicação como acidente de trabalho, uma vez que ocorreu em plena atividade laboral; uma aposentadoria especial é fundamental para nossa sobrevivência; é necessário que o Governo Federal assuma efetivamente a responsabilidade sobre o caso. Trata-se de uma questão de degeneração da vida humana. Afinal, nós estamos pagando com a própria vida por trabalharmos em uma atividade do Governo Federal onde salvamos milhares de brasileiros, mas que nos deixou irremediavelmente condenados a uma morte lenta, cruel e sem direito a condições dignas de tratamento e uma aposentadoria especial que garanta segurança e dignidade de vida.

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