Fora Exército do Morro da Providência!

Rebelar-se é Justo!

 

A notícia do assassinato dos três jovens moradores do morro da Providência no dia 14 de junho se soma aos vários crimes cometidos diariamente pelo velho Estado Brasileiro. O Exército prendeu Wellington Gonzaga (19 anos), Marcos Paulo (17 anos) e David Wilson, de 24 anos, às sete horas da manhã do sábado e os levou para traficantes de facção diferente da que controla o tráfico no Morro da Providência – onde os três moravam. Os jovens foram torturados e executados, seus corpos foram encontrados um dia depois no Aterro Sanitário de Gramacho, em Caxias.

 

Após o enterro dos jovens os moradores fizeram Ato em frente ao Comando Militar do Leste (situado à frente da Providência) e ainda foram recebidos com bombas de gás lacrimogênio e repressão das tropas da PM e do Exército que lá estavam. Indignados os moradores responderam aos ataques com pedras e tampas de bueiros, além de queimarem um ônibus e quebrarem outros nove. Os moradores também retiraram a bandeira nacional fincada pelos militares no alto do morro e ergueram uma bandeira preta, simbolizando o luto, em seu lugar. Os operários da construção civil anunciaram greve: “Enquanto tiver Exército, não tem obra” – enfatizou um pedreiro.
           
Trabalhadores colocam fogo em ônibus em protesto contra o Exército

Além de enfrentarem os massacres perpetrados pela gerência estadual de Cabral e seu secretário de segurança Beltrame, a dupla que bateu recorde de assassinatos no estado, os trabalhadores ainda têm de se defender da gerência Luiz Inácio que já carrega grande número de execuções tanto no campo quanto em periferias e favelas nas cidades. Não contente com a criação da Força Nacional de Segurança em 2004, Luiz Inácio ainda auxilia a repressão estadual com uso do Exército.

 

As Forças Armadas do velho Estado estão no morro da Providência desde dezembro de 2007 para garantir que um projeto eleitoreiro firmado entre Marcelo Crivella, Luiz Inácio e Sérgio Cabral seja cumprido. O projeto batizado por eles de “cimento social” tem objetivo de reformar alguns barracos no intuito de contribuir para mais uma demagógica campanha eleitoral que farão este ano.

 

Operários manifestam repúdio ao Exército e prometem paralisar obras na favela até a retirada das tropas

 

Terrorismo do velho Estado

As pessoas mais simples do povo sempre viveram nas condições mais aterrorizantes impostas pelo velho Estado e, agora, com o governo policial de Sérgio Cabral, e com todo apoio de Luiz Inácio, esta situação tem se agravado ainda mais. Por decorrência da alta exploração do trabalho, cada vez mais pessoas são lançadas para a pobreza. E para conter o mar de desempregados e famélicos que o próprio capitalismo burocrático produz, o velho Estado vem aplicando as ordens fascistas do imperialismo para os países semicoloniais, lançando mão de execuções arbitrárias de pobres.

 

A estatística oficial consta que no ano passado 1330 civis foram mortos pela polícia, o que representa um aumento de 343% em relação a dez anos atrás. Os dados parciais de 2008 já revelam que as execuções de pobres estão ainda maiores: só no primeiro trimestre do ano a polícia já matou 358 pessoas, aumentado em mais de 12% o número de vítimas em relação ao mesmo período de 2007.

 

O que fazer com milhões de pessoas que vivem em bairros pobres e favelas ganhando salários de fome ou mesmo amargando o desemprego, sem direito à saúde, educação, saneamento, moradia, sem mínimas condições de vida digna? Além de a miséria aumentar cada vez mais, os mínimos direitos que o povo ainda dispunha estão sendo atacados diariamente: cresce o chamado trabalho informal, os direitos trabalhistas como décimo terceiro, férias e licenças estão ameaçados ou não são exercidos, o trabalho aos domingos foi instituído, os salários não são reajustados corretamente, o preço dos alimentos disparou, enfim, a vida dos pobres só fica mais dura, o que, por um lado, empurra milhões de massas para a luta contra o velho Estado e sua falsa democracia e, por outro, atiça ainda mais a repressão estatal no afã de manter a exploração e opressão sobre milhões de massas populares.

 

Para sufocar o protesto popular só resta ao velho Estado apelar para os massacres. Como “justificativa” das execuções cometidas todos os dias pelo aparelho policial, o velho Estado diz estar combatendo o tráfico, mas na essência propagandeia que ser pobre é o mesmo que ser criminoso. Mas a verdade é exatamente o oposto, criminoso é o velho Estado burguês-latifundiário pró-imperialista e suas instituições terroristas como a Polícia e o Exército que matam cotidianamente pessoas de nosso povo. É este velho Estado que tem cinco séculos de história manchados de sangue.

 

Às massas populares só resta organizar-se e lutar por uma outra sociedade

Não há solução para o povo dentro deste sistema de dominação imperialista do país e capitalismo burocrático nas cidades. O único caminho é a Revolução!

 

O povo só garantirá seu direito à vida através de sua organização e luta pela tomada do Poder. É preciso ir derrotando o velho Estado passo a passo e já ir criando embriões de um Novo Poder. O povo organizado pode, através de uma luta prolongada, ir criando seu próprio mecanismo de defesa, estruturar redes de saúde, educação, produção, realizar obras, enfim, pode e deve organizar sua própria vida, destruindo o velho Estado reacionário e construindo um Novo Estado Popular, realizando uma nova cultura, nova economia, nova política, uma Nova Democracia.

 

Para isso é imprescindível que os trabalhadores das favelas e bairros pobres disponham de uma verdadeira Organização revolucionária, que junto com as demais classes oprimidas e exploradas, sob a direção do proletariado, leve adiante a Revolução de Nova Democracia ininterrupta ao Socialismo que já se desenvolve como Revolução Agrária no campo.

 

Abaixo o velho Estado sanguinário e assassino!

Viva a Rebelião Popular! Rebelar-se é justo!

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